Compare os dois regimes considerando o que a maioria das calculadoras ignora: o valor real dos benefícios que o PJ perde, o Fator R do Simples Nacional, os custos escondidos de operar como PJ, e o tempo perdido no trânsito, que muda o valor real da sua hora de trabalho.
O ISS já vem embutido no DAS do Simples Nacional pra quem fatura até R$3,6 milhões por ano, então não é cobrado separado aqui.
CLT
R$ 0,00
renda disponível no mês
PJ
R$ 0,00
renda disponível no mês
O pró-labore ideal costuma equilibrar o Fator R (pra ficar no Anexo III) com o menor INSS e IRRF possível, deixando o resto do lucro pra ser distribuído sem impostos adicionais. Essa é uma simplificação; confirme com um contador antes de decidir.
O Fator R divide a folha de pagamento (incluindo o pró-labore) pelo faturamento dos últimos 12 meses. Se esse resultado é 28% ou mais, a empresa é tributada pelo Anexo III do Simples Nacional, com alíquotas bem mais baixas (a partir de 6%). Abaixo disso, cai no Anexo V, que começa em 15,5%. É por isso que muitos contadores recomendam um pró-labore calculado para bater exatamente esse percentual: nem mais, pra não pagar INSS e IRRF à toa, nem menos, pra não perder a alíquota melhor.
Sobre o pró-labore incidem INSS (11%, até o teto) e IRRF pela tabela progressiva. Já o valor que sobra do faturamento depois do DAS, do pró-labore e das despesas da empresa pode, em geral, ser distribuído ao sócio como lucro isento de imposto de renda adicional. Um PJ que só olha o pró-labore como "salário" costuma subestimar o quanto realmente sobra no fim do mês.
Na CLT, o desconto do vale-transporte no salário não pode passar de 6%, e a empresa cobre o restante do custo real do deslocamento. O FGTS acumula 8% do salário por mês numa conta que só o trabalhador movimenta, mais uma multa de 40% sobre todo o saldo se for demitido sem justa causa. O PJ não tem nada disso: se quiser essa mesma proteção, precisa construir uma reserva por conta própria.
Tempo no trânsito não aparece em holerite nenhum, mas é tempo de vida gasto a caminho do trabalho. Quem passa 1h30 por dia se deslocando perde cerca de 30 horas por mês, quase uma semana inteira de trabalho, de graça. Essa calculadora usa esse tempo pra recalcular o valor real da sua hora, o que muda bastante a comparação quando um dos lados é home office e o outro é presencial.
Trabalhar de casa corta gasto com transporte, roupa e almoço fora, mas costuma aumentar a conta de luz (ar-condicionado, computador ligado o dia todo) e exigir uma internet mais robusta. Vale colocar esses valores na ponta do lápis em vez de assumir que home office é sempre mais barato.
Além do salário, uma empresa paga por cima dele o FGTS (8%), o INSS patronal (20%), o RAT e contribuições a terceiros como Sistema S (por volta de 7,8% somados) e ainda provisiona o 13º e as férias com um terço. Somando tudo, o custo real de manter alguém na CLT costuma ficar perto de 1,55 vez o salário bruto. Quando uma empresa propõe trocar CLT por PJ, uma conta proporcional justa parte desse valor total, não do salário isolado — é isso que o atalho "calcular o valor proporcional" faz. O RAT e os encargos de terceiros variam por atividade da empresa, então trate esse número como uma referência, não uma regra fixa.